quarta-feira, 27 de outubro de 2010

Tic-Tac

A hora, senhora;

Não cobra o tempo que a ti carece;

Cobra sua vida;

Você padece.

Yuri A. Sousa 08/03/2010

Refém

Tu és carapuça;
Do que a sociedade lhe cobriu;
És desconfiança;
Do pavor que já sentiu.

Libertar-se-á sem demora;
Verás que tua máscara caiu;
Certo dia chegará a hora;
Mas por debaixo desta, outra já vestiu.

Pois na vida, não serás quem sois;
Um amor, uma herança, um martírio;
E a morte vem depois.

Já não importa o que ocorra;
Tampouco suas idéias, seus valores.
Seremos apenas um reflexo, do sorriso da cora.

Arrependimento

Quando quiseres me ver,
Verás que meus olhos não mais pertencem aos seus;

Quando quiseres me ler,
Lerás o que minha boca esqueceu-se de dizer;

Quando quiseres me ter,
Terás minha vontade de ter alguém além de você;

Pois quando quiseres decidir,
Decidirás tarde, hei decidido que não te quereis mais. 


Yuri Alvarez Sousa 21/07/2010

quinta-feira, 3 de junho de 2010

Eternidade

Sofro de uma nostalgia sem sentido,

sinto falta de tudo que já passou,

e nem de perto estava aqui,

enquanto todos buscam seus futuros,

busco um passado impossível,

queria ter estado lá quando a ditadura explodiu,

e quando o pelé não fez.

O futuro não me interessa tanto,

quero ser eterno para ser do passado.

Mil palavras

Quero lhes propor uma imagem, um clima, um sonho, Leve, flutuante,

Clima sublime, hiperestático, que lhe tira a velocidade,

Prende-te no tempo alternativo do fôlego,

Onde palavras se degustam nos seus olhos, e morrem no entendimento da alma,

Veja, não lhe quero como razão, vem comigo, leia o que eu vejo,

Mostra-me pro teu íntimo, deixa-me, eu te explico...



Sente nos teus pés descalços, esta areia úmida!?

Nos teus pulmões latentes, esta fina brisa!?

O homem ali, só,

Sentando na pedra fosca,

De altura perfeita, só.

Abaixo a noite fria,

De quantas estrelas quiseres,

Tantas, olha! Só.

A lua, quente, luminosa, refletida na água lípida,

Delineando sutilmente as rochas, as bordas, só.

Ali, ínfimo na pedra, sentado, um som harmônico, suave,

Fascinante melodia, só.

Enquanto a lua olhava a água,

Por este momento parava,

Ouvia o som da noite, dourado,

Era seguro pelo homem aquele lindo sax,

Que enfim podia ser ouvido de verdade, só.

Nada por dizer, nada para ouvir, sentir, só.

Um homem, uma noite, um mar, uma pedra, um saxofone. Só

Separados, tão ordinários quanto possa parecer,

Juntos!? Só.



Agora vem, volta pra tua terra,

Aqui é teu sonho, tua alma, tua casa,

E bom filho que és,

Quando voltares, lembre-tem de mim,

Nem de perto mil palavras, mas mesmo assim,

Uma imagem, um retrato,

Uma pintura que lhe dei.

quarta-feira, 3 de fevereiro de 2010

Ode ao Ode

Ode ao odiador,
Que mesmo pelos palcos da vida,
Perdido, de fala retida,
Não aprendeu a sentir dor.

Ode então, a mim,
Já que me visto de cordeiro,
Misturo-me no chiqueiro,
Pra ver se chego ao fim.

Ode a quem não se indispor,
Das besteiras transcritas,
Das verdades não ditas,
De um mero amador.

Pois quem com fervor,
À Ode odeia
Sabe que além de tudo semeia,
Apenas o amor.

Yuri Alvarez. 20/10/2008