segunda-feira, 28 de fevereiro de 2011

Execução do Amor

Execução do Amor

Na noite mais escura nos perdemos;
Esvai-se o que lentamente construímos;
Fugindo a regra do que seremos;
As sete Lótus dos meninos.

Ludibria-me canção latente;
Que a hora clama agora;
Chance não terá novamente;
Teste o fio enquanto chora

Mas ilumirá da retina vossa;
Certeza tal nunca sonhada;
Que o perdido voltar possa;
Da busca superada.

Por fim terá ou quase;
O caminho de saída;
Mas de súplica me faço em frase:
Não saia da minha vida.


Yuri Alvarez Sousa
 13/01/2011

domingo, 27 de fevereiro de 2011

Homenagem Póstuma a um (Des)conhecido.

Carta do Sol

Chove,
E hoje meu corpo é complacente ao céu,
No limite que me concede chegar aos teus pés, choro.

Não entendo sua dor, não tento.
O abstrato não me permite comparação
Jorram lágrimas de lembranças,
As mais próximas que eu tenho de sua dor.
Não lhe confortam, eu tento.

Nunca tive um parente que se foi, me deixou, mesmo assim perdi um amigo, o mais leal de todos, meu presente precioso, o tipo de amigo que lhe define, lapida, transforma, reforma e se vai.
Esteve comigo por 15 anos, eu não reparei, me ajudou, não lhe agradeci, me alegrou, eu sorri.
Se foi, eu não estava lá.

Vazio.

Saudade.

Choveu.

Remorso.

Quão perto estamos realmente um dos outros nesse mundo globalizado?
Tanto quanto sempre estivemos, muito longe.
Temos apenas a ilusão de proximidade.
Estamos limitados aos nossos pés, ouvido, coração.

Culpa.

No meu mundo de férias e diversão, eu não vi, não senti.
Queria estar lá, segurar por uma última vez meu amigo.

Lembrei.
De tantos momentos quantos poderia lembrar naquele momento.

Chorei.
De tristeza, não o teria mais.

Depois, chorei.
De alegria, por ter-los vivido, presenciado

Por fim, chorei, sorrindo
De esperança de no futuro poder encontrá-lo, esperança da sua paz

Restou apenas o remorso, e este eu trago comigo, pois por mais que não haja culpa, apenas restou.

Revivi.
Sem culpa de poder sorrir sem ele, egoísta o suficiente para saber que era isso que meu amigo gostaria, e com a certeza de que minhas lembranças o honravam.

As minhas únicas palavras que teriam alguma chance de conforto, não saíram com minha voz, por isso escrevo hoje.

O quão conhecido pode ser um desconhecido?

Impressões.


Em memória de Zêzê, Heinz, 
um amigo especial de um amigo especial.


Yuri Alvarez Sousa
31/10/2010

quarta-feira, 27 de outubro de 2010

Tic-Tac

A hora, senhora;

Não cobra o tempo que a ti carece;

Cobra sua vida;

Você padece.

Yuri A. Sousa 08/03/2010

Refém

Tu és carapuça;
Do que a sociedade lhe cobriu;
És desconfiança;
Do pavor que já sentiu.

Libertar-se-á sem demora;
Verás que tua máscara caiu;
Certo dia chegará a hora;
Mas por debaixo desta, outra já vestiu.

Pois na vida, não serás quem sois;
Um amor, uma herança, um martírio;
E a morte vem depois.

Já não importa o que ocorra;
Tampouco suas idéias, seus valores.
Seremos apenas um reflexo, do sorriso da cora.

Arrependimento

Quando quiseres me ver,
Verás que meus olhos não mais pertencem aos seus;

Quando quiseres me ler,
Lerás o que minha boca esqueceu-se de dizer;

Quando quiseres me ter,
Terás minha vontade de ter alguém além de você;

Pois quando quiseres decidir,
Decidirás tarde, hei decidido que não te quereis mais. 


Yuri Alvarez Sousa 21/07/2010

quinta-feira, 3 de junho de 2010

Eternidade

Sofro de uma nostalgia sem sentido,

sinto falta de tudo que já passou,

e nem de perto estava aqui,

enquanto todos buscam seus futuros,

busco um passado impossível,

queria ter estado lá quando a ditadura explodiu,

e quando o pelé não fez.

O futuro não me interessa tanto,

quero ser eterno para ser do passado.

Mil palavras

Quero lhes propor uma imagem, um clima, um sonho, Leve, flutuante,

Clima sublime, hiperestático, que lhe tira a velocidade,

Prende-te no tempo alternativo do fôlego,

Onde palavras se degustam nos seus olhos, e morrem no entendimento da alma,

Veja, não lhe quero como razão, vem comigo, leia o que eu vejo,

Mostra-me pro teu íntimo, deixa-me, eu te explico...



Sente nos teus pés descalços, esta areia úmida!?

Nos teus pulmões latentes, esta fina brisa!?

O homem ali, só,

Sentando na pedra fosca,

De altura perfeita, só.

Abaixo a noite fria,

De quantas estrelas quiseres,

Tantas, olha! Só.

A lua, quente, luminosa, refletida na água lípida,

Delineando sutilmente as rochas, as bordas, só.

Ali, ínfimo na pedra, sentado, um som harmônico, suave,

Fascinante melodia, só.

Enquanto a lua olhava a água,

Por este momento parava,

Ouvia o som da noite, dourado,

Era seguro pelo homem aquele lindo sax,

Que enfim podia ser ouvido de verdade, só.

Nada por dizer, nada para ouvir, sentir, só.

Um homem, uma noite, um mar, uma pedra, um saxofone. Só

Separados, tão ordinários quanto possa parecer,

Juntos!? Só.



Agora vem, volta pra tua terra,

Aqui é teu sonho, tua alma, tua casa,

E bom filho que és,

Quando voltares, lembre-tem de mim,

Nem de perto mil palavras, mas mesmo assim,

Uma imagem, um retrato,

Uma pintura que lhe dei.